|
1. CARACTERIZAÇÃO DO CONCELHO DA GOLEGÃ
1.1 A
GEOGRAFIA HUMANA DO CONCELHO
O concelho da
Golegã situa-se na Região de Lisboa e Vale do Tejo e, dentro
desta, na sub-região da Lezíria do Tejo.
pelas
freguesias de Golegã e Azinhaga, este concelho é limitado a
Norte pelos concelhos de Torres Novas, Entroncamento e Vila Nova
da Barquinha; a Sul pelos concelhos de Santarém e Chamusca; a
Oeste pelo concelho de Santarém e a Este pelo concelho da
Chamusca.
Está situado,
de montante para jusante, na margem direita do Rio Tejo,
distando deste apenas 1 Km.
Este concelho
tem uma área de 76 Km2 (aproximadamente 1,1% do
Distrito de Santarém).
Cerca de
56,9% da sua área é constituída por bons aluviões, mais
conhecidos por “Terras do Campo”. A zona de aluviões mais fértil
situa-se na zona atravessada pela Estrada Nacional 365 -
Golegã/Azinhaga.
Os campos do
concelho da Golegã são reconhecidos como dos mais férteis do
país, nomeadamente no que se refere à produção de cereais.
Atravessado
pelo Rio Almonda, limitado a Leste , em todo o seu comprimento
pelo Rio Tejo, o concelho tem conhecido durante toda a sua vida
o “fenómeno das cheias” a que deve também o seu bom nome,
caracterizado pela imensa fertilidade dos seus campos.
Em grandes
cheias, o Tejo cresce para o Almonda banhando todos os campos da
Azinhaga, cortando vias de comunicação, incluindo o Dique dos
Vinte, dique de ligação entre os concelhos da Golegã e da
Chamusca. O problema do escoamento das águas do Almonda é de
difícil resolução, quer pela forma como se faz a sua inserção no
Tejo, quer pela cota do seu leito se encontrar a um nível
inferior ao leito daquele rio.
Segundo a
Monografia do “Plano de Regularidade do Rio Tejo” (MOP 1980),
prevê-se o desvio do Rio Almonda para o Alviela a partir de uma
secção no Paúl do Boquilobo, assegurando a defesa das margens e
campos marginais, incluindo o enxugo e a rega dos campos
protegidos, assim como a protecção do Paúl do Boquilobo,
considerada uma reserva ornitológica.
1.2 A
DEMOGRAFIA DO CONSELHO
Entre 1970 e
1980, o concelho da Golegã caracterizou-se por uma estagnação da
evolução da população, ao contrário da tendência registada para
o restante país, marcada pelo declínio. Note-se no entanto que o
concelho viu, durante este período, a sua população aumentada em
cerca de uma centena de habitantes.
De acordo com
o censo de 1991, registava-se no concelho um total de 6.072
habitantes, com uma densidade populacional de 79 habitantes por
Km2, valor que se situa acima da média de alguns concelhos
vizinhos e da média do Distrito de Santarém que, em 1981
apresentava o valor de 67 habitantes por Km2. Nessa altura, a
Golegã apresentava já uma densidade populacional semelhante à
dos dias de hoje, 78 habitantes por Km2.
Os baixos
índices de natalidade apontam no sentido do envelhecimento da
população.
Nos números
apurados pelos censos de 1981 e 1991 constata-se que o número de
nascimentos por casal é cada vez menor, verificando-se ainda que
a taxa de natalidade apresenta valores negativos nas duas
últimas décadas. Em contrapartida tem aumentado a esperança
média de vida, factor que contribui para o envelhecimento da
população.
Verificam-se,
no entanto, dois condicionalismos, que têm influenciado a
demografia do concelho: o regresso de famílias dos países
africanos de expressão portuguesa e, mais recentemente, o preço
dos bens imobiliários que se tem apresentado concorrencial em
relação aos concelhos vizinhos, atraindo assim algumas famílias.
Deste modo, verifica-se que um relativo crescimento populacional
fica a dever-se a fenómenos migratórios uma vez que o
crescimento natural apresenta sistematicamente valores
negativos.
A emigração
nunca foi significativa (0,5%); as migrações têm tendência a
aumentar com maior incidência na camada jovem (5% da população
total do concelho entre 1981 e1991).
Este facto
poderá encontrar uma justificação numa reduzida oferta de
emprego e formação profissional e ainda uma fraca dinâmica
cultural que dificulta o enraizamento dos jovens na sua terra,
tornando-os mais vulneráveis ao apelo dos centros urbanos,
nomeadamente nos concelhos limítrofes que dispõem de maior
vitalidade sócio-económica e cultural.
No estudo
referido, realizado pelo grupo de professores, não deixa de ser
oportuno notar que em 1994, dos 476 inquiridos na freguesia da
Golegã, 47% são naturais do concelho e 50% o não são.
Em 50
famílias inquiridas na freguesia de Azinhaga verificou-se que em
todas elas há um enraizamento na comunidade e que pelo menos um
dos progenitores é natural da terra.
1.3 A
ECONOMIA DO CONSELHO
No concelho
da Golegã, com uma área ligeiramente menor que 10.000 ha,
distinguem-se 3 zonas diferenciadas relativamente à composição,
estrutura e textura dos solos, o que origina diferentes graus de
fertilidade e aptidões, que se reflectem, como é óbvio na sua
capacidade produtiva.
Temos as
“terras de campo”, constituídas pelos aluviões modernos,
situadas nas zonas inundáveis da Lezíria, cuja fertilidade
aumenta consoante os terrenos se afastam do Rio Tejo. Quase
todos os solos são da classe A, à excepção de alguns junto ao
rio, nos quais se depositaram os materiais mais grosseiros
(areias). Constituem cerca de metade da terra do concelho.
As terras de
“espargal” constituídas pelos aluviões antigos, são solos mais
compactos, mais argilosos, mais ácidos, por isso com uma
capacidade produtiva menor sendo maioritariamente classificados
nas classe B e A. Representam a mancha agrícola que num passado
recente constituía o olival, que hoje em dia praticamente não
existe. Dimensionamento constituem cerca de 50% da área do
concelho.
Finalmente
existe uma pequena mancha a Norte do concelho, “terras de
charneca” constituída por solos de inferior qualidade, Classe C,
com algumas aptidões florestais (sobreiros e eucaliptos).
Concluiu-se
que o concelho tem fortes potencialidades agrícolas em relação à
aptidão dos solos, que hoje em dia, quer nos aluviões modernos,
(a totalidade) quer nos aluviões antigos constituem uma vasta
área de culturas de regadio.
Relativamente
à distribuição da área do concelho pelas explorações,
constata-se que ¼ da área agrícola é ocupada pelas ditas
explorações “grandes” (6 explorações); os restantes ¾ preenchem
a área ocupada pelas médias e pequenas explorações (alguns
centos).
Levando em
conta a aptidão dos solos e as condicionantes actuais, pode
concluir-se, que o concelho se encontra tecnicamente bem
explorado, sendo dos que com maior relevância contribui para o
Produto Interno Bruto Agrícola Nacional. Todavia, relativamente
à rentabilidade, modernização, especialmente de sistemas de
regadio, mecanização racional, etc. Factores determinantes, no
abaixamento dos custos dos factores de produção, a sua
deficiente estruturação fundiária, torna quase inviável qualquer
melhoria nesse sentido. Veja-se que no concelho apenas 3
explorações de 20 ou 30 hectares é constituída por parcelas
separadas e constituídas por 10 ou mais prédios.
Justificar-se-ia talvez uma restruturação fundiária que
permitiria uma melhor qualidade de vida a quem cultiva a terra.
No presente a
agricultura atravessa uma grave crise devido às incertezas e à
diminuição dos seus rendimentos que oficialmente se estimam em
30% . As regras impostas pela P. A. C., agravadas pela
assinatura do GATT, que deram origem à liberalização dos
produtos agrícolas sem qualquer restrição, caminhando para a
extinção de quaisquer subsídios ou protecção a par da quebra
real dos preços, são responsáveis por perspectivas bem negras
para o futuro, devido à instabilidade e insegurança económica
que geram.
É de realçar
a criação da Agromais, entreposto de comercialização de cereais
que hoje é a maior organização do país, com nível europeu e o
maior empreendimento no nosso concelho. Esta organização,
dinâmica e lúcida das suas funções, criou sessões de culturas
horto-industriais, em regime de contratação e comercialização
associativa, estabelecendo contratos com os grandes grupos
económicos da indústria alimentar.
No aspecto
social, se nos transportarmos a um passado relativamente
recente, o concelho nunca teve excesso de mão-de-obra, senão em
períodos muito curtos no início do ano. Na verdade, quando havia
uma extensa área de olival (4.000 ha) a colheita da azeitona
era efectuada por ranchos vindos de fora, pois não havia
Goleganenses suficientes. O mesmo se passava com a cultura do
milho de sequeiro, feito por “fangueiros”, quase todos dos lados
da Serra de Tomar. As mondas dos trigos e sachas de favas,
exigiam que viessem grandes ranchos dos Riachos, porque as
mulheres de cá eram insuficientes em relação à procura. Os
trabalhadores rurais do concelho, embora muitos deles
analfabetos, desde há longos anos, que dentro das limitações
eram pessoas evoluídas e muito racionais. Todos procuravam
promover-se e valorizar-se profissionalmente, e constituíam uma
elite do campesinato. Todavia, todos se esforçaram para afastar
os filhos do campo, profissão mais dura, mais insegura e mais
mal paga. Assim, depois do tempo da escola, os rapazes foram
aprender um “ofício”, nas oficinas, na serventia de pedreiro,
nos canalizadores, pintores, etc. . Outros depois de cumprido o
serviço militar, onde a sua “evolução” era notada, concorriam à
Polícia, G.N.R. e Guarda Fiscal onde sempre tivemos e temos um
número apreciável de indivíduos. A C.P. também constitui uma boa
fonte de emprego.
Deste modo,
numa população sem crescimento demográfico, devido a uma
melhoria da qualidade de vida, o campesinato foi diminuindo e o
existente envelhecendo.
No presente,
constata-se que não há mão-de-obra do sexo masculino disponível
e a existência situa-se maioritariamente no grupo etário do 50 a
60 anos.
Com o
desenvolvimento das culturas horto-industriais já se nota a
insuficiência (em certos períodos) de mão-de-obra feminina,
tendo-se que recorrer à contratação nos concelhos limítrofes. A
desenvolver-se este tipo de culturas, a precaridade de
mão-de-obra poderá constituir impedimento à sua extensão.
Poder-se-á classificar o concelho como “importador” de
mão-de-obra.
Mas, o facto
talvez mais negativo, para o desenvolvimento e progresso do
concelho, tem a ver com o destino da riqueza produzida no mesmo;
cerca de 40% senão mais do património fundiário, pertence a
agricultores que não residem nem investem no concelho,
resultando daí, que a riqueza produzida aqui, é transferida para
outros lugares onde é factor de desenvolvimento e progresso.
Deste modo, temos e vivemos como que numa economia tipo
“colonialista”, fortemente prejudicial ao desenvolvimento
concelhio.
Numa previsão
para o futuro, sempre duvidosa e imprevisível, dadas as
condições instáveis do presente, poder-se-á avançar que uma
melhoria da qualidade de vida passaria por:
-
Maior e melhor força associativa.
-
Mudança de mentalidades e raízes culturais em relação ao
trabalho em grupo (cultura).
-
Criação de infra-estruturas industriais agro-alimentares, bem
dimensionadas para a produção possível.
-
Produção bem dimensionada para abastecer a parte industrial.
-
A mão-de-obra disponível, organizar-se em grupos, de forma a
poder assinar contratos com as associações empregadoras.
-
Tomar-se consciência do que poderá representar o Turismo Rural,
ligado especialmente ao cavalo e pesca.
-
O ensino levar em conta as necessidades do concelho.
-
Consciencializar o poder local em relação ao seu importante
papel na dinamização, iniciativa, incremento, diálogo,
disponibilidade, facilidades, etc. em todas as acções que
promovam o progresso económico e cultural do concelho.
1.4 A
SAÚDE E A EDUCAÇÃO
Relativamente
a indicadores de habilitação académica da população, 16% dos
eleitores actualmente inscritos não sabem ler nem escrever.
Destes 2/3 são mulheres.
As
percentagens de analfabetismo recaem, fundamentalmente na faixa
etária dos mais de 50 anos.
Na recolha de
dados efectuada, relativamente às habilitações académicas das
famílias com filhos a frequentarem as unidades educativas da
freguesia da Golegã, constatou-se que em 351 famílias
inquiridas, 36% das pessoas têm a 4ª classe; 19% o 2º ciclo e
17% o 3º ciclo.
Relativamente
a serviços e equipamentos sociais existentes no concelho
encontramos o Centro de Saúde, com sede na freguesia da Golegã e
numa extensão de atendimento diário na freguesia de Azinhaga
que funciona no edifício da Junta de Freguesia.
O atendimento
à população escolar é feito pelo respectivo médico de família,
que, em colaboração com uma enfermeira, forma a equipa de saúde
escolar. Há ainda uma equipa de educação para a saúde que
desenvolve, sempre que solicitada, actividades em articulação
com as unidades educativas existentes no concelho.
A Santa Casa
da Misericórdia da Golegã, que está vocacionada para o
atendimento a idosos, funciona em regime de internamento - lar -
ou de apoio domiciliário.
Na freguesia
de Azinhaga, existe também a Santa Casa da Misericórdia,
vocacionada para idosos, com Centro de Dia e apoio domiciliário.
Nesta
localidade, foi já experimentada uma modalidade de atendimento a
crianças e jovens, em regime de ATL que por falta de frequência
veio a encerrar. Pode atribuir-se a falta de frequência não só
às condições precárias em que eram desenvolvidas as actividades
como também à falta de sensibilização, junto das famílias, para
o benefício destas actividades relativamente a uma
responsabilidade escolar.
A oferta
educativa no concelho distribui-se por:
-
Um Jardim de Infância da rede pública e uma escola do 1º ciclo
com cantina na freguesia de Azinhaga:
-
Um Jardim de Infância da rede pública, uma escola do 1º ciclo, e
uma escola C+S com valência até ao 12º ano de escolaridade na
freguesia da Golegã.
-
Existe ainda um Centro Paroquial que se caracteriza por uma
oferta de educação pré-escolar e ocupação de tempos livres para
crianças e jovens em idade escolar.
-
Existe uma boa oferta de educação pré-escolar, verificando-se
que há uma elevada frequência deste nível educativo. A título de
exemplo refere-se que em 227 alunos inquiridos que se encontram
a frequentar a escolaridade obrigatória, 88% frequentaram o
Jardim de Infância.
1.5 A CULTURA
No que
respeita às actividades culturais o concelho da Golegã
caracteriza-se pela existência de um grande número de
associações culturais, recreativas e desportivas, nomeadamente,
Filarmónicas, Ranchos Folclóricos, Clubes de futebol, de
ginástica, de columbofilia, Coro e Grupo de música popular
portuguesa.
A maior parte
destas associações está aberta duas vezes por semana e só à
noite, o que dificulta a integração de crianças e jovens.
A Biblioteca
Municipal, apesar de ser local de alguma procura, tem uma oferta
pouco diversificada e desactualizada.
Os dois
museus da Golegã parecem ser fundamentalmente frequentados por
grupos escolares de outros concelhos, não atraindo a população
local.
Não existem
órgãos de comunicação social, não há nenhuma estação de rádio ou
jornal local.
Existe um
Cine-Teatro ; uma piscina municipal, em pleno funcionamento e
com oferta de lições de natação para crianças e jovens, no
período de verão; um campo de ténis e um pavilhão
gimno-desportivo.
Deste
panorama podemos concluir que apesar de não ser muito
diversificada a oferta de animação para os jovens do concelho
há, no entanto, alguns potenciais, em termos de recursos capazes
de programas complementares aos oferecidos pelas unidades
educativas
|